[intro]
duas da manhã
o mundo dorme
meus olhos dizem não
o relógio perdeu a hora
a lua foge devagar
e em algum lugar do universo
já são quarenta e cinco e setenta e dois
então vamos
[verso 1]
oito bilhões de histórias
acontecendo ao mesmo tempo
alguém nasce, alguém se apaixona
alguém olha o mar em silêncio
alguém compra um sorvete
alguém atravessa o céu num avião
alguém deseja o fim de uma guerra
alguém conversa sozinho com a madrugada
e nós deslizamos o infinito
com um dedo sobre o vidro
quinze segundos para uma tragédia
quinze segundos para um cachorro tocando piano
que mundo estranho
que mundo bonito
[pré-refrão]
eu não quero correr do passado
eu só não quero morar nele
porque o tempo não pergunta
se estamos prontos para continuar
[refrão]
o tempo não espera
então eu escolho o meu caminho
posso olhar para trás
mas não vou viver olhando para trás
o tempo não espera
e eu também não quero esperar
se existe alguma coisa para amar
eu quero amar enquanto está aqui
rir enquanto posso rir
criar enquanto posso criar
e quando o sol chegar
que ele me encontre vivo
[verso 2]
procuramos alienígenas nas estrelas
sem perceber a piada
para quase todo o universo
os alienígenas somos nós
criaturas de uma pedra azul
que respiram o céu
bebem água
sonham todas as noites
e discutem às quatro da manhã
se um vampiro pode entrar numa ikea
o cientista alienígena observa
faz silêncio
e cancela o primeiro contato
[verso 3]
talvez o peixe não conheça a água
porque nunca viveu sem ela
então me diga
o que está ao nosso redor
desde o primeiro dia
e nós ainda não conseguimos ver?
talvez a vida seja cheia
de coisas invisíveis assim
um gesto
uma frase
uma pessoa do outro lado do mundo
descascando milho ao nascer do sol
sem saber que alguém
a milhares de quilômetros dali
acabou de olhar para a própria vida
de outro jeito
[refrão]
o tempo não espera
então eu escolho o meu caminho
não preciso entender o universo
para agradecer por estar nele
o tempo não espera
um dia vira uma lembrança
uma madrugada vira uma música
e uma música atravessa o mundo
ninguém sabe até onde vai
uma coisa pequena que fazemos
talvez o que para você foi nada
para alguém tenha sido tudo naquele instante
[ponte]
dois mais dois são quatro
mesmo quando alguém exige cinco
cem pessoas olham o mesmo céu
e contam cem histórias diferentes
mas quando ninguém está olhando
quando não existe prêmio
quando seria fácil machucar
e mesmo assim alguém escolhe o bem
eu não sei se isso prova o céu
mas diz alguma coisa
sobre quem escolheu
[verso 4]
no ano dois mil quatrocentos e setenta e três
os historiadores ainda estão acordados
“não queremos saber quem era satoshi!”
“então o que vocês querem?”
“quem contou a ele sobre o projeto?”
silêncio
uma porta se abre
uma cabra entra devagar
carregando o último documento de dois mil e oito
“peguem a cabra!”
crunch
tarde demais
[break]
um minuto de silêncio
para os arquivos perdidos
e também para aquele homem
que confiou demais num peido
[refrão final]
o tempo não espera
mas isso não me dá medo
porque eu não preciso guardar tudo
para ter vivido tudo
o tempo não espera
então deixa o mundo girar
há pessoas que nunca vou conhecer
que talvez tenham mudado minha vida
há palavras que vou esquecer
e risadas que vão ficar
há noites feitas para dormir
e outras que começam às duas
atravessam o planeta inteiro
e terminam virando uma discografia
[outro]
o sol nasceu
o relógio ainda está errado
a lua continua se afastando
um pouquinho a cada ano
alguém acorda
alguém vai dormir
alguém pergunta se estamos sozinhos
e muito longe daqui
talvez alguém pergunte a mesma coisa
eu não sei a resposta
mas enquanto ela não chega
eu escolho seguir o meu caminho
sem arrependimentos
sem precisar saber o final
porque o tempo não espera
e ainda temos tanta coisa
para imaginar
...
crunch
não
de novo não
A CABRA COMEU O FINAL "
O Tempo Não Espera
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